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Sushi Yoshi
Orientalismo à moda pernambucanaCultura pop, culinária, artes marciais e filosofia japonesa seduzem de vez o Mundo
Origamis criados pela aposentada Maria Stela: não posso ver um papelzinho.Uma terra distante que fascina. Do outro lado do Mundo, está o Japão. Uma ilha vulcânica que sofreu as tristes conseqüências de duas bombas atômicas e conseguiu se reerguer rumo ao desenvolvimento. Hoje, potência mundial, a terra do sol nascente serve como modelo para diversas pessoas que, além de admirarem a disciplina, a determinação, a crença e os valores do povo japonês, cultivam respeito pela cultura de um país que alia tradição e vanguarda.
"A cultura japonesa é milenar e tem uns detalhes de honra, respeito, além de uma coisa mística que é muito interessante", opina a estudante Karina Bazanti, 25 anos. O curioso é perceber como o Japão conseguiu criar produtos culturais modernos que trazem embutidos valores típicos da sociedade tradicional nipônica. É o caso dos mangás e animes, histórias em quadrinhos e desenhos animados japoneses, que fazem enorme sucesso também no lado de cá do planeta. O estudante João Marcílio, 21 anos, explica que os heróis dos mangás fazem sucesso porque permitem que o leitor se reconheça nos conclitos que enfrentam, ao mesmo tempo em que estão situados em um universo fantástico.
Fã da linguagem dos mangás e animes, a estudante Karina possui uma coleção com mais de cem revistinhas. O entusiasmo pelos personagens das histórias é tamanho que uma das diversões da estudante são os concursos de cosplay. Para quem não sabe cosplay é o hábito de se fantasiar e interpretar um determinado personagem das tramas japonesas. No Recife, essa é uma prática que vem se popularizando.
A culinária é outra paixão de Karina. "É tudo muito suave, muito leve", opina. Assim como a estudante, uma grande legião de apreciadores da boa mesa japonesa estão se formando. "É uma comida saudável. Da primeira vez é meio ruim de comer, mas depois você fica viciado. Não dá para esquecer aquele sabor", garante Yoshi Matsumoto, proprietário do Sushi Yoshi, restaurante que existe há oito anos, em Boa Viagem.
O gosto e o respeito pelas milenares artes marciais são uma característica bem peculiar aos países orientais e há um grande leque de lutas populares no Japão que ainda permanecem obscuras por aqui. Para os nipônicos, o aprendizado das artes marciais exige mais do que técnica, ele deve ser acompanhado do desenvolvimento do intelecto e do caráter daquele que o pratica. E foi essa faceta que encantou Gustavo Gouveia, professor de kendo - uma luta milenar, inspirada na arte da espada dos samurais. "Inerente a qualidade humana há a agressividade. A arte marcial existe para que o homem supere seus instintos e controle essa agressividade. Tanto é que os grandes mestres são pessoas extremamente calmas", teoriza Gouveia.
Os nipônicos conservaram as tradições, enquanto os ocidentais, após o advento da arma de fogo, fizeram com que as antigas práticas marciais perdessem o sentido. "O que você vê hoje em esgrima, por exemplo, é só o esporte", conclui Gouveia. Os japoneses, por sua vez, não relegaram à segundo plano a filosofia, por isso, para eles tudo deve ter um sentido, uma motivação.
Gustavo Gouveia, professor de kendo, explica que os orientais encaram essa luta marcial como filosofia. Foto: Alcione Ferreira.Essa idéia fascinou o estudante João Marcílio, praticante e fundador do Clube do Go, um jogo de tabuleiro, no qual o jogador tem como objetivo não apenas derrotar o seu adversário, mas ajudá-lo se tornar um desafiante melhor. "Há quem considere o Go mais do que um jogo, uma forma de arte", explica Marcílio, que calcula já ter ensinado a mais de cem pessoas a técnica.
A psiquiatra aposentada Maria Stela Braga é, como ela própria se define, "uma brasileira, uma nordestina" que se viu encantada pelo Oriente, através de uma outra forma de arte. "A minha paixão é o origami. Não posso ver um papelzinho", brinca. Há alguns anos, Maria Stela teve oportunidade de realizar um sonho e conhecer a terra do sol nascente. "Lá as ruas não têm nome e as casas não têm número, você sabia?", pergunta a senhora de olhos puxadinhos.
Potência mundial depois de superar o trauma das bombas atômicas, o Japão consegue aliar tradição com vanguarda.
Fonte: Diario de Pernambuco - Mariana Fonetes - Especial para o Diário 26/01/2005.
Restaurante Sushi Yoshi
Rua Padre Luiz Marques Teixeira, 155
Boa Viagem Recife - PE
34622748 / 33423705