Um prato bonito,colorido, apetitoso. O cheiro, então, dá água na boca. Pena que você ai do outro lado, vendo pela telinha, não possa sentir esse cheiro. Mas é só esperar um pouco, no futuro isso será possível.
Pelo menos, é isso que o professor Takamishi Nakamoto está criando em um laboratório da Escola de Engenharia do Instituto Tecnológico de Tóquio: um aparelho que emite imagens, sons e cheiro. Algo que pode ser chamado de "cheirovisão".
O assistente dele mostra que eles estão testando a transmissão de três cheiros: uísque, laranja e maçã.
As frutas são sintéticas, mas o cheiro é o mesmo. Elas ficam num canto do laboratório, com um sensor acoplado a um trilho, que transmite as imagens e as informações sobre o cheiro pela internet.
No meio do laboratório, fica o computador que recebe as informações. O primeiro teste é com o uísque. No começo, não dá para identificar o cheiro que sai do aparelho. Passamos então para o segundo teste: a maçã. Desta vez, o odor é inconfundível.
Cada substância emite moléculas que carregam o cheiro e cada molécula tem uma determinada vibração, captada pelos sensores. O aparelho transforma essa vibração em linguagem de computador e joga para a internet. Do outro lado, o computador capta essas informações, como faz com a imagem e os sons. Reconhece de que substância é o cheiro e é capaz de reproduzi-lo.
"No futuro, vamos nos comunicar também pelo cheiro", afirma o professor.
Um dos segredos da pesquisa é uma caixa, que os cientistas chamam de mostrador de cheiro. Dentro dela, há uma série de tubos, cada um com uma essência. Quando na tela do computador aparece a imagem de uma maçã, a máquina imediatamente começa a misturar essas essências, para formar o cheiro da maçã. Assim, a gente pode ver e cheirar a maçã ao mesmo tempo.
"Quando você diz a palavra junto com a imagem e o cheiro, você provoca uma impressão mais forte. Assim, a gente pode memorizar mais facilmente, acelerando o aprendizado”, afirma o professor.
Dois anos atrás, a universidade testou num programa para ensinar a cozinhar. Na tela apareciam os ingredientes sendo misturados. Quando o prato ficou pronto, o aparelho emitiu o cheiro de curry, aquele tempero indiano, para surpresa dos convidados para testar o aparelho.
"As pessoas ficaram com fome. Havia um restaurante ao lado, e – terminada a demonstração - todo mundo disse que queria ir para lá", conta ele.
E também, garante o cientista, será possível gravar o cheiro de um filme, como se faz hoje com imagens e sons. O problema é se - no meio do filme - bater aquela fome.
|